domingo, 3 de junho de 2012

10) Os ninhos de arame.

Junkers F-13

Ao tempo em que voava os F-13, 1942,43, a gente seguia a linha da fronteira, escalando em Bagé e Santana do Livramento, e pernoitando em Uruguaiana, tudo dentro dos limites do RGS, que era a “cancha” da VARIG. Em Uruguaiana a tripulação ficava no campo preparando o avião para o dia seguinte. Amarrava-se o avião, pois o local era sujeito a tempestades, limpava-se seu interior, fazia-se uma inspeção geral, consertava-se algum pequeno defeito e abastecia-se a aeronave com água, óleo e gasolina. Os tanques de gasolina, nas asas, tinham um tampão que depois de fechado era lacrado com arame e um lacre de chumbo no qual se pressionava o Ícaro estilizado que era o símbolo da RG, com alicate especial que a gente guardava zelosamente.

No dia seguinte, fazia-se uma inspeção geral e examinava-se os bocais dos tanques. Se os lacres estavam intactos, tudo bem (nunca foram violados, que eu saiba). Essa precaução de lacrar os bocais dos tanques era uma precaução inculcada no pessoal da VARIG pelos alemães que a haviam ajudado nos tempos iniciais. Acredito que eles pudessem temer alguma sabotagem, talvez por efeito da guerra que tinham vivido. No Brasil daqueles tempos, nem se sabia o que era sabotagem ou terrorismo, e eu sempre achei que essa precaução era desnecessária.

Para verificar a gasolina nos tanques, era necessário romper o tal lacre, e para isso o mecânico do avião cortava o arame com alicate e jogava, displicentemente, o pedacinho de arame com o lacre de chumbo no chão de grama, nas imediações do avião. Como isso era feito há anos, o gramado ao redor do avião era um mar de pedacinhos de arame com chumbo, que ninguém se preocupava em juntar. Ninguém, não, pois havia alguém que o fazia. Havia um passarinho, habitante da região, cujo nome eu nunca soube, que juntava com o bico tais pedacinhos de arame e os colocava cuidadosamente dentro do cano de escapamento do motor do F-13, praticamente entupindo o bocal do cano, para construir um ninho, por desconfortável que pudesse ser. Assim, fazia parte do cheque pré-decolagem nos F-13 em Uruguaiana, limpar e desobstruir o bocal do cano de escape do motor, desfazendo o trabalho do passarinho, que tinha de começar tudo de novo quando o avião voltasse! Nunca soube porque ele escolhia esse local para seu ninho. Talvez porque estivesse ainda quente, devido à recente chegada do avião.

O que terá acontecido com esses passarinhos, depois de tantos anos? Faz mais de meio século que aconteciam essas coisas que relatei. Será que os passarinhos desapareceram, como os dinossauros, por falta de adequação ao meio ambiente ? Ou será que se adaptaram aos novos tempos, adotando algo afim com a nova tecnologia de cada nova época, para fazerem seus ninhos ? Hoje não existem mais aviões F‑13, com canos de escape quentes, que há muito tempo viraram panelas, nem aramezinhos nem lacres de chumbo em tanques de gasolina . Os passarinhos, se ainda existem, estão fazendo outra coisa que eu pelo menos, jamais saberei. Como nosso mundo é cheio de coisinhas, não é?

Um comentário:

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