segunda-feira, 16 de julho de 2012

60) Velocity of Rotation

B-747

A “Velocity of Rotation”, ou simplesmente VR é a velocidade, na decolagem de um avião a jato, na qual o piloto “cabra” o avião para fazê-lo girar (daí o nome de “rotation”) em torno dos eixos da rodas do trem principal, para que assuma a atitude que lhe vai permitir decolar, ou sair do solo, logo adiante quando atinge a velocidade de decolagem, ou V2. A ação de cabrar na VR tem que ser muito bem calculada, pois nessa mudança de atitude a cauda do avião passa muito perto da pista. A VR é calculada em função do peso do avião e da localização de seu centro de gravidade, e os pilotos observam o surgir dessa velocidade para poder decolar com segurança.

Essa definição de velocidade na decolagem teve origem logo após o término da 2ª. Guerra, quando o ICAO e o FAA americano estabeleceram normas que deveriam ser adotadas nos aviões multimotores que surgiam na época. Essas normas previam as velocidades VMC, V1, V2 (Minimum Control, Decision, Take-off). Quando o piloto decidia prosseguir com um motor em pane, ele cabrava para decolar na V2. Quando surgiram os jatos multimotores, verificou-se que o piloto tinha que cabrar o avião antes da V2, pois o jato demandava uma considerável mudança de atitude para decolar, e se a cabragem fosse na V2 não haveria pista que chegasse.

Pois houve um caso em que um Boeing 747 da VARIG, pleno de passageiros, decolando do Galeão com destino a New York, teve a VR de decolagem calculada erroneamente, o que fez com que, quando o piloto cabrou o avião, a cauda deste batesse violentamente contra o solo da pista, arrancando uma chapa de quase cinco metros de comprimento do revestimento da cauda. O Comandante do avião não teve alternativa senão prosseguir no vôo, pois não havia mais espaço para interromper a decolagem. Ficou portanto sobrevoando o aeroporto, enquanto um jato da FAB decolava e voava por debaixo do 747 para avaliar o acontecimento; seu piloto só pôde ver que havia um grande buraco na cauda do 747, e nada mais. Depois de algum tempo sobrevoando o aeroporto e discutindo o assunto com o pessoal de terra, o Comandante do 747 decidiu prosseguir a New York, apesar do incidente. Voou então cerca de dez horas, com a cabine completamente pressurizada, num vôo normal, sem que os passageiros pressentissem qualquer anormalidade.

Quando o avião chegou a New York, já lá estavam técnicos da Boeing, para avaliar e eventualmente consertar os danos. Segundo eles, teria sido uma imprudência voar naquelas condições, pois ninguém poderia saber se a estrutura fora afetada de modo a chegar à temida despressurização explosiva. Mas, enfim, nada de mais grave aconteceu, fora os prejuízos materiais. Não há dúvidas de que a Boeing sabe construir bons aviões!

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